Poesia é vontade criada e criativa,
que não há como ser saciada de forma inativa
só escrevendo, escrevendo, escrevendo...
com caneta ou com teclado
no final de um livro ou na porta do armário,
no primeiro pedacinho de papel que me aparece
durante a madrugada que o sol amanhece.
Na parede, no pensamento,
na espera, no movimento,
na chegada, no caminho, na partida,
no vidro empoeirado, no bilhete deixado,
na vida.

E a minha vida eu não sei viver sem ser escrevendo. Com palavras ditas ou guardadas (é que também escrevo por dentro)... ou partilhadas... aqui, por exemplo.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os olhos enxergam aquilo que a gente quer enxergar

Um jardim rodeado por uma cerca enorme. Eu consigo focar a cerca, enxergar a cerca, só a cerca. Mas daí chego perto e tem espaços entre uma madeira e outra. Aproximo meu olhar. Deixo de enxergar a cerca e enxergo o que está lá dentro, entre os espaços da madeira. Vejo um jardim lindo. Vejo todo o jardim.
Quantas vezes na sala da minha casa, eu me pegava reclamando de um rasgo no sofá. Aquele rasgo começou a me incomodar. Desejei um sofá novo, só que o dinheiro não dava para comprar. Como aquele rasgo incomodava! Até que um dia percebi que existia uma sala inteira além do rasgo. Um tapete bonito e cortinas que combinavam com o tapete. A televisão que comunicava e fazia a família sentar junta para assistir à novela. A janela grande, bonita. A mesinha com os enfeites e um jarro de flores. Sempre gostei de flores.
Na vida é assim. Tudo depende de para onde focamos o nosso olhar. Olhamos o defeito? Olhamos o problema? Ou será que conseguimos nos aproximar da cerca e ver entre as madeiras que tem um jardim enorme esperando por nós?
A sala toda era tão bonita e aconchegante – pude ver. O pequeno rasgo no sofá era apenas um detalhe. E deixou de incomodar.


Maria Carol Reis

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