Muito bom esse título, né?! Se a intenção fosse vender um livro, um filme, um seriado, ou uma linha de cosméticos. Mas o que venho aqui dizer é que não concordo mais com livros de “pura” auto-ajuda, nem com promessas simplórias de felicidade plena. Talvez, e repito, talvez existam 10 maneiras de emagrecer, 10 maneiras de melhorar o seu cabelo, 10 maneiras de alcançar sucesso profissional... Talvez. Estou admitindo uma hipótese, uma possibilidade. Longe, muito longe de qualquer certeza. Pois já li, mas nunca experimentei e algumas que experimentei não deram muito certo. De uma coisa, porém, falo com convicção, experiência e sorriso nos lábios: não existe um número exato, nem fórmulas prontas para alcançar algo tão grandioso chamado por nós de felicidade.
Primeiro, confunde-se felicidade com tantas outras coisas: ter bens, ser amado, sentir-se realizado, ser útil, preencher o tempo, ter muitos amigos, ter sucesso, sentir-se alegre, sentir-se bem... Justo eu que sou amante das palavras e da arte de comunicar através delas, falo aqui da complicação de usá-las: definir é muito difícil e limitado. Não penso eu, realmente não tenho este ideal, que até desta página direi a você o que é ou como fazer para ser feliz. Bem diferente, quero partilhar minhas buscas e vontades, e a percepção de que o caminho é tão singular quanto cada um de nós.
Por favor, queridos em quem um dia já acreditei, não me venham mais dizer para fazer assim ou assado, pois o que é ótimo para você, provavelmente não é para mim. Então, me conte da sua vida ainda, continue partilhando sua alegria, mas sem tentar me convencer de ser igual. Até porque a graça é ser diferente.
Hoje de manhã, ao me olhar no espelho, quis fazer uma ação mais demorada e satisfatória. Perceber as medidas do meu rosto, o tom castanho dos meus olhos, as marcas de tempo que já rugem na juventude, a cara de sono aliviada pela água cristalina da manhã, a boca sedenta... O reflexo era diferente porque assim também era a minha vontade de olhar. Tanto que eu pude me admirar com um rosto que vejo todos os dias, como se fosse um rosto novo. E, sabe, acho até que nem vejo todos os dias, por às vezes passar pelo espelho com meu olhar desinteressado e me esquecer da curiosidade, da curiosidade de me descobrir de novo e me surpreender.
Acho que isso é um pouco do que até hoje consegui descobrir e formular: não como posso ser feliz, mas sim que, para descobrir esse “como”, preciso de um olhar curioso e cheio de vontade de ver e de se surpreender comigo mesma e com a vida.
Hoje para mim a felicidade é a palavra mais abstrata, não-palpável, muito significante e múltipla em suas possibilidades e relações, e, por esses e outros motivos, muito concreta. Não estou falando o ininteligível, nem posso simplificar o que é tão amplo e intenso. A felicidade está no amor, está na fé, está em mim, está no outro, está em Deus, está na plenitude, está no Bem, está no ser e no fazer, está no estar, está no acontecer, na alegria e na dor, na espera e na realização, na verdade e na busca, de alguma forma no provisório e de forma completa no eterno.
Não vou deletar o título, mas termino: “sem maneiras de ser feliz”, ou “tantas maneiras de ser feliz”. De certa forma “auto-ajuda” é interessante, se prestarmos atenção na palavra: ajude você mesmo, ainda que outros ajudem você, pois ninguém pode afirmar qual é o caminho. E isso não é nenhum relativismo. O caminho é singular. A resposta é pessoal. O chamado é único. E a felicidade vem.
Maria Carol Reis
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